Informação e Opinião
Por Valmir Lima, do ATUAL
MANAUS – Os episódios recentes envolvendo o jornalismo da “grande” mídia (as aspas são a sinalização da ironia que o termo carrega) não deixam dúvidas de que lado estão essas empresas de comunicação que por muito tempo ditaram os rumos da política brasileira. O grupo Globo, o Estadão, a Veja e a Folha de S.Paulo atuam para anabolizar a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) e minar a reeleição de Lula (PT).
O episódio de maior repercussão foi o PowerPoint (um gráfico) exibido na Globo News, ligando o presidente Lula e o PT ao escândalo do Banco Master e omitindo figuras da extrema direita. Depois da repercussão negativa, a apresentado do programa Stúdio I – onde o gráfico foi apresentado –, Andréia Sadi, fez um vídeo pedindo desculpas pelo erro, mas sem apresentar um gráfico com a devida correção.
O gráfico da Globo News colocou Daniel Vorcaro, o dono do Banco Master, ao centro e, nas laterais, imagens e informações sobre políticos e empresários ligados à extrema direita e à esquerda. Uma foto de Lula e a estrela do PT em destaque tentavam ligar o presidente e seu partido aos crimes financeiros do banco liquidado pelo Banco Central em novembro do ano passado.
Faltou no gráfico o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto, que autorizou a criação do Banco Master e tomou as decisões que levaram aos crimes investigados agora, na gestão Lula. Apesar de o atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, ter liquidado o Master, apareceu no PowerPoint como se investigado fosse.
Não apareceram no programa da Globo News os políticos que receberam doações milionárias do dono do Master na campanha de 2022, entre eles o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Outras figuras da extrema direita também foram omitidas no gráfico.
O pedido de desculpas de Andréia Sadi não apaga a mácula da emissora, que age claramente para por em evidência o candidato Flávio Bolsonaro, que aparece nas pesquisas de intenção de voto como o mais competitivo na disputa direta com o presidente Lula.
Os jornalões e a revista Veja também embarcaram na disputa, fazendo um jogo cínico no espaço editorial da notícia. As pesquisas de intenção de voto são manipuladas e os veículos divulgam os dados de forma a parecer que Lula já está derrotado. Por exemplo, todos eles deixaram de fazer os títulos das matérias com informações sobre a disputa eleitoral de primeiro turno, onde Lula está à frente dos adversários em todos os cenários testados.
Veja, Estadão e Folha, assim como O Globo, têm dado destaque às intenções de voto de segundo turno, em que Flávio Bolsonaro aparece ora empatado, ora à frente de Lula, em empate técnico dentro da margem de erro.
Mas não param nas pesquisas. O “jornalismo” (outra ironia) praticado pelos jornalões também tentam mostrar a economia em frangalhos, mesmo com os números mostrando um controle nunca visto nos últimos sete anos.
A segurança pública, competência principalmente dos Estados, onde a corrupção de policiais e autoridades favorece a expansão do crime organizado, é sempre retratado na midiazona com um problema do governo federal.
Nenhuma crítica nos espaços de opinião ao comportamento dos governadores que rejeitaram as propostas do Ministério da Justiça na PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da Segurança Pública. E a reação, com argumentos falaciosos, foi tão somente para evitar que o governo avançasse no combate ao crime organizado. É a velha máxima do “quanto pior o país, melhor para nós”.
Apareceu até argumentos na “grande” mídia de que o eleitorado está cansado de votar em Lula, por ele ir para a sétima disputa presidencial.
Mais uma vez, como em diversos momentos históricos da sociedade brasileira, a mídia escolhe um lado para defender na eleição, assim como também fez com a ditadura militar, apoiando o golpe de 1964.
